
A noite anda inquieta aqui em casa. Não é o vento, não é o marulhar distante dos pensamentos que insistem em não dormir. É outra coisa. Algo que respira comigo. Algo que cresce. Talvez seja o meu novo livro de poesia, encostado na borda do mundo, afiando os dentes antes do salto. Ele ainda é segredo, mas já pulsa. Já quer morder.
Tenho escrito como quem atravessa um corredor sem luz, guiada apenas pelo instinto. Entre sombras espessas, silêncios longos e essa sensação perigosamente deliciosa de estar indo longe demais. Onde o bom senso costuma pedir recuo, eu avanço. Onde a razão pede calma, eu escuto o sussurro mais antigo. Cada verso nasce assim, meio oração, meio ameaça.
Em breve, esse livro deixa de ser só meu. Sai da gaveta, abandona o abrigo e se oferece ao toque alheio. Não é uma leitura dócil. Não vem pedir licença, não bate à porta. Ele entra. Se instala. Observa. E fica.
Se a curiosidade já começou a arranhar por dentro, se algo em você reconhece esse chamado estranho, pode me escrever. Sussurre no meu e-mail: contato@lunabelamorte.prosaeverso.net
Eu respondo. Às vezes no meio da madrugada, às vezes com poucas palavras. Nem sempre com calma. Mas sempre com verdade.