
As horas escorrem como tinta negra pela beira da janela, e eu, com a paciência inquieta de quem carrega tempestades no peito, começo a arrumar minhas malas para as férias. Não que eu vá muito longe; nunca fui criatura de areias douradas ou mares cintilantes. Meu refúgio é outro: uma toca de silêncio, velas acesas, chá escuro e uma pilha de cadernos que parecem morder meus dedos pedindo para nascer. O descanso, para mim, nunca é repouso total. É dilatação do tempo. É o intervalo em que as sombras se ajeitam, cochicham, conspiram. E eu deixo.
Há noites em que acordo antes mesmo de dormir, tomada por aquele fervor estranho que só aparece quando um novo livro começa a se formar. Os leitores sempre acham que sou eu quem escreve a história, mas a verdade incômoda é que nunca mando em nada. As palavras vêm como vinhas rastejantes, se enroscam nos pulsos, pedem passagem. Estou prestes a entrar de cabeça nessa tormenta criativa, e que bom... estava com saudade de ser devorada.
Vocês já caminharam comigo pelos primeiros dois volumes da saga Ordo Umbrae, e eu ainda me espanto com a forma como nossas sombras se reconhecem à distância. Para quem chegou agora, maiores detalhes estão espalhados pelas pedras escuras da minha página aprendizdastrevas.com. O primeiro volume, aliás, dorme lá de graça, como um lobo dócil fingindo mansidão até alguém ousar tocá-lo. Quem lê sabe que ele morde. E que morde bonito.
Mas o que realmente me traz este frenesi quase febril é o presente que estou preparando para vocês. Sim, presente, embora o nome sugira algo embalado com fitas quando, na verdade, é um ritual inteiro que se ergue diante de mim. Durante as férias, vou me enclausurar para lapidar o novo livro, aquele que nascerá no início de 2026 como um suspiro amaldiçoado entre séculos de histórias. Já posso sentir que será diferente. Mais denso. Mais ousado. Mais meu e, paradoxalmente, mais de vocês. Sobre o que terá de novo no meu próximo livro... deixei uma pista escrita na jaqueta que estou usando nessa foto 
Escrevo para criaturas góticas que respiram poesia e penumbra; vocês entendem o valor de um livro que não apenas conta, mas convoca. Que abre portais. Que altera o pulso. E é exatamente isso que estou tecendo: algo para incendiar a alma de quem já abraçou a escuridão como lar. Algo que faça vocês (sim, vocês mesmos) se sentirem parte de um pacto silencioso comigo.
Enquanto o mundo lá fora se distrai com sol e festas, eu mergulharei na noite, empunhando minhas palavras como lâminas finas, afiadas ao ritmo das batidas que vocês me inspiram. E quando o novo volume finalmente abrir os olhos, no início de 2026, quero que saibam: cada página vai carregar um fragmento do meu coração sombrio, um pequeno feitiço preparado especialmente para vocês.
Preparem-se. A noite ainda não começou, e já arde como promessa.