Faz tempo que me perdi no silêncio.
O cansaço me consumiu como fogo lento; o trabalho drenou a alma, e os contos de Halloween sugaram de mim o que restava de luz. Passei semanas observando o breu pela janela, sem forças para transformar o vazio em versos. Mas as sombras sempre sabem o caminho de volta... e agora retorno, reconstruída em meio ao cemitério das palavras, pronta para despertar o que dormia.
Notei que alguns partiram.
Talvez se assustaram com o peso dos meus poemas, confundindo o eco da dor com a voz da autora. Pobre engano; a poesia nunca é o ser, é apenas o espelho trincado do instante. Cada verso sombrio nasce da inspiração, não da ferida. E, ainda assim, compreendo: nem todos suportam olhar o abismo sem cair dentro dele.
Por outro lado, os que ficaram… e os que chegaram do mundo noturno… são os que entendem a beleza no macabro, a ternura nas trevas. Eles me inspiram. São a chama fria que reacende minha pena.
Estou de volta.
Com poemas novos, ideias famintas e o mesmo fascínio pela escuridão que respira em mim.
Aguardem... logo virão palavras para ferir, curar e encantar sob o nome que sempre sussurra:
Luna Bela Morte.