
Hoje, mais uma vez, percebi que minha mente é uma prisão luxuosa. Suas paredes são feitas de palavras afiadas, suas janelas dão para paisagens sombrias que ninguém além de mim ousaria contemplar. Vivo imersa em um fluxo incessante de ideias, como se meu cérebro fosse um rio em tempestade, arrastando-me para lugares que só existem dentro de mim.
As pessoas me falam, me tocam, me sorriem… mas é como se suas vozes fossem ecos distantes. Enquanto elas falam de trivialidades, eu estou costurando enredos, ouvindo personagens que gritam dentro de mim, arquitetando mundos que nunca verão a luz do sol. É exaustivo. É viciante.
Hoje, tentei estar presente em uma conversa, mas me peguei pensando na morte como uma amante sedutora, na escuridão como um lar, e em como a solidão me entende melhor do que qualquer pessoa de carne e osso. Fiquei em silêncio, e alguém me perguntou se eu estava triste. Como explicar que eu não estava triste, apenas em outro universo?
Talvez seja por isso que os meus relacionamentos desmoronam.
Não é que eu não ame… é que meu amor é dividido entre este mundo e os labirintos da minha mente. É injusto para eles, eu sei. Mas como pedir a alguém que espere, enquanto eu me perco dentro de mim mesma?
Às vezes, penso que minha única relação verdadeira é com minhas histórias. Elas me devoram, mas também me mantêm viva.
Talvez eu tenha nascido para pertencer apenas a esse abismo criativo, e não a ninguém mais.
Hoje, me sinto uma catedral abandonada: bela, fria e cheia de vozes que só eu consigo ouvir.