Hoje a fadiga se aninhou em meus ossos como uma sombra densa que não me larga. O peso da rotina me arrasta, como correntes enferrujadas que tilintam a cada passo dado em direção ao nada. O trabalho incessante consome minhas horas, devora meus sonhos, como um abutre paciente que não descansa até arrancar a última centelha da carne.
E percebo (ah, como percebo!) que não é apenas cansaço: é a máquina invisível, o sistema, este grande carrasco moderno, que nos mantém algemados ao relógio, ao suor, à engrenagem que gira apenas para manter-se girando. Somos peças sacrificáveis, peças que o tempo desgasta, e que um dia serão cuspidas no esquecimento.
Mas não, eu não aceitarei este destino sem luta. Breve, muito breve, romperei estas algemas invisíveis. Breve, rasgarei o véu da submissão e me libertarei das mãos frias que tentam moldar minha existência. Pois o que eles me roubam é o que tenho de mais precioso: o tempo; o sopro efêmero da vida, o eco da eternidade que pulsa dentro de mim.
Eu não serei serva desse culto vazio ao labor. Minha alma não foi feita para servir, mas para arder.