Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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10/09/2025 19h14
De alma cansada...

Hoje a fadiga se aninhou em meus ossos como uma sombra densa que não me larga. O peso da rotina me arrasta, como correntes enferrujadas que tilintam a cada passo dado em direção ao nada. O trabalho incessante consome minhas horas, devora meus sonhos, como um abutre paciente que não descansa até arrancar a última centelha da carne.

 

E percebo (ah, como percebo!) que não é apenas cansaço: é a máquina invisível, o sistema, este grande carrasco moderno, que nos mantém algemados ao relógio, ao suor, à engrenagem que gira apenas para manter-se girando. Somos peças sacrificáveis, peças que o tempo desgasta, e que um dia serão cuspidas no esquecimento.

 

Mas não, eu não aceitarei este destino sem luta. Breve, muito breve, romperei estas algemas invisíveis. Breve, rasgarei o véu da submissão e me libertarei das mãos frias que tentam moldar minha existência. Pois o que eles me roubam é o que tenho de mais precioso: o tempo; o sopro efêmero da vida, o eco da eternidade que pulsa dentro de mim.

 

Eu não serei serva desse culto vazio ao labor. Minha alma não foi feita para servir, mas para arder.

Publicado por Luna Bela Morte
em 10/09/2025 às 19h14
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