
A sirene desperta a cidade,
O ponto bate: começa o labor;
Cada hora me arranca outra idade,
E a pressa chama exaustão de valor.
Por trás do vidro, apodrece a verdade,
Nas telas, deixo sangue e suor;
Meu corpo esquece a própria vontade,
E o medo chama o salário de favor.
Meus domingos apodrecem adiados,
Meus desejos, em gavetas sepultados,
Enquanto o crachá mastiga a vida.
Volto à noite, cadáver no vagão,
E amanhã: de novo, produção.
A morte bate o ponto na saída.
Entre no portal dos Sonetos da Luna Bela Morte e percorra uma seleção de seus melhores sonetos já publicados. Ali, a poesia gótica encontra a noite, o mistério e a beleza sombria em versos que parecem sussurrados depois da meia-noite.
Atravesse e deixe-se conduzir pela voz de Luna, recitando a escuridão através de sua poesia: