
À meia-noite, a rua era secreta,
Só a lua insistia em me olhar;
Um lenço branco dormia na sarjeta,
E um passo se esqueceu de regressar.
Minha mão parecia tão quieta,
Que nem a chuva ousava me tocar;
Na esquina, uma sombra incompleta,
E a lua não quis nada declarar.
Perguntaram por ele ao meio-dia,
Neguei saber sequer se ainda existia,
Mas a verdade ficou quase desnuda.
Desde então, quando o vidro me revela,
Vejo outro rosto preso na janela:
A lua sabe. E continua muda.
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Atravesse e deixe-se conduzir pela voz de Luna, recitando a escuridão através de sua poesia: