
Às três, minha razão bateu a porta,
Deixou seu crachá sobre a caneta;
Disse: “A partir de agora, estou morta”,
E pôs meu juízo numa gaveta.
Desde então, outra voz me desconforta,
Assina meus sonhos de violeta;
À meia-noite, a fechadura entorta,
E o espelho me chama de profeta.
No espelho, outra mulher me sorria,
Com meus olhos e a boca vazia,
E disse: “O novo turno mora em mim.”
Fiquei tão funcional, tão obediente,
Que o mundo me chamou de competente.
Minha razão ficou. Eu tive fim.
Entre no portal dos Sonetos da Luna Bela Morte e percorra uma seleção de seus melhores sonetos já publicados. Ali, a poesia gótica encontra a noite, o mistério e a beleza sombria em versos que parecem sussurrados depois da meia-noite.
Atravesse e deixe-se conduzir pela voz de Luna, recitando a escuridão através de sua poesia: