Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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Quando minha sanidade pediu demissão
Data: 14/10/2026
Créditos:
Um soneto para quem continuou funcionando tão bem por fora que ninguém percebeu quando alguma coisa essencial pediu demissão por dentro.

Autoria e Voz: Luna Bela Morte.
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Às três, minha razão bateu a porta,

Deixou seu crachá sobre a caneta;

Disse: “A partir de agora, estou morta”,

E pôs meu juízo numa gaveta.

Desde então, outra voz me desconforta,

Assina meus sonhos de violeta;

À meia-noite, a fechadura entorta,

E o espelho me chama de profeta.

No espelho, outra mulher me sorria,

Com meus olhos e a boca vazia,

E disse: “O novo turno mora em mim.”

Fiquei tão funcional, tão obediente,

Que o mundo me chamou de competente.

Minha razão ficou. Eu tive fim.


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aprendizdastrevas.com/sonetos

Enviado por Luna Bela Morte em 14/10/2026
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