
Escrevo à mulher que serei um dia,
Antes que a morte apague o meu nome;
Deixo nesta carta a febre fria,
E a fome que em silêncio me consome.
À noite, outra respiração me vigia,
E beija o meu reflexo com sua fome;
Minha carne já sabe a travessia,
E espera que a última luz me tome.
Se és tu quem me espera em meu segredo,
Por que já sinto em tua mão meu medo?
A carne, afinal, era só a porta.
Leva de mim a febre e a consciência,
Mas guarda nesta carta a minha ausência:
Eu já estava morta.
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