Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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Carta à mulher que serei depois da morte
Data: 12/10/2026
Créditos:
Um soneto para quem teme a morte menos do que a possibilidade de já ter começado a desaparecer antes dela.

Autoria e Voz: Luna Bela Morte.
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Escrevo à mulher que serei um dia,

Antes que a morte apague o meu nome;

Deixo nesta carta a febre fria,

E a fome que em silêncio me consome.

À noite, outra respiração me vigia,

E beija o meu reflexo com sua fome;

Minha carne já sabe a travessia,

E espera que a última luz me tome.

Se és tu quem me espera em meu segredo,

Por que já sinto em tua mão meu medo?

A carne, afinal, era só a porta.

Leva de mim a febre e a consciência,

Mas guarda nesta carta a minha ausência:

Eu já estava morta.


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aprendizdastrevas.com/sonetos

Enviado por Luna Bela Morte em 12/10/2026
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