
À meia-noite ouvi gemer o chão,
Debaixo, estalou a tábua escura;
Baixei a vela, trêmula na mão,
E o pó se abriu numa fina fissura.
Um hálito subiu pelo colchão,
O quarto se fechou como clausura;
Meu nome veio em lenta pulsação,
Falado pela boca da loucura.
Procurei com os dedos o segredo,
Mas só toquei a forma do meu medo,
Dormindo atrás dos olhos, sem um fim.
Deitei de novo, pálida e consciente,
E ouvi o chão abrir dentro da mente:
Não mora embaixo. Mora em mim.
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