
Vestiram-me de santa e de ferida,
Meu silêncio morreu sobre o altar;
Mas toda fé que em mim foi proibida
Criou dentes que aprenderam a uivar.
Beijei a culpa, já apodrecida,
E vi meus pés descalços levitar;
A igreja em minha carne foi erguida,
Só para a minha fome a profanar.
Ardiam os incensos lentamente,
E o céu me quis de joelhos, penitente;
Chamando de clemência a submissão.
Fiz da heresia a minha armadura,
Da santidade, a última fissura;
Só fui santa enquanto houve prisão.
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