Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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A noite em que matei meu espelho
Data: 25/09/2026
Créditos:
Um soneto para quem precisou destruir o reflexo que o mundo impôs para finalmente encarar quem sempre foi.

Autoria e Voz: Luna Bela Morte.
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

À meia-noite, encarei a moldura,

O vidro me julgava em sua sentença;

Meu rosto era uma antiga costura

De culpas, de beleza e de descrença.

Toquei o vidro: sangrou a fissura,

Chamando a perfeição de velha doença;

Cada estilhaço abriu outra figura,

E todas me exigiram a presença.

Eu ri, e esmaguei cada pedaço,

Até meu sangue ungir todo o espaço,

Mas vi meu rosto intacto na ferida.

Sem vidro, a voz voltou mais funda e fria:

“Seja quem querem”, dentro de mim dizia.

O espelho morreu. Eu fiquei refletida.


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aprendizdastrevas.com/sonetos

Enviado por Luna Bela Morte em 25/09/2026
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