Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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Por isso converso com os mortos
Data: 21/09/2026
Créditos:
Um soneto para quem encontrou nos mortos a escuta que os vivos nunca souberam oferecer.
Autoria e Voz: Luna Bela Morte.
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

À meia-noite, quando a casa esfria,

Acendo uma vela junto ao chão;

E conto aos mortos o que eu não diria

Aos vivos, tão hábeis na traição.

Um nome antigo volta e me vigia,

No vidro embaciado pela mão;

E cada sombra, imóvel, me anuncia

Que alguém responde dentro do caixão.

Eles me escutam, pálidos, calados,

Sem corrigir meus crimes confessados,

Nem me prometer cura para o fim.

Por isso volto à noite, em penitência;

Os mortos nunca fingem inocência:

Os vivos é que morreram em mim.

 


 

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aprendizdastrevas.com/sonetos

Enviado por Luna Bela Morte em 21/09/2026
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