
Entrei descalça no meu quarto sem luz,
Onde a poeira guardava uma presença;
Havia um salmo pregado à uma cruz,
E a cama respirava a minha ausência.
Rezei. Um fio de voz me conduz,
Mas algo respondeu à minha crença;
No espelho, um rosto morto reluz,
E o silêncio assinou minha sentença.
Vi Deus atrás do armário fechado,
Sem olhos, contra o chão ajoelhado,
Beijando o pó onde não havia ninguém.
Toquei-lhe a mão: era a minha, fria,
E ouvi do vazio o que eu não sabia:
Eu era o além.
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