
Enterro a voz sob um discreto véu,
E à meia-noite escuto o meu segredo.
Meu passo fere a paz azul do céu,
Na rua, os lírios têm perfume e medo.
No vidro, alguém repete o gesto meu,
Tem lábios condenados ao degredo.
Pergunto baixo; a boca expele fel
E escreve em minha nuca: “Ainda é cedo.”
Nos pés, reconheci meus próprios ossos,
Molhados pelo lodo de meus poços.
A morta que me segue quer meu fim.
Por isso eu ando só, recuso a chama,
Pois minha sombra os beija e os reclama:
Sou eu quem vem atrás de mim.
Entre no portal dos Sonetos da Luna Bela Morte e percorra uma seleção de seus melhores sonetos já publicados. Ali, a poesia gótica encontra a noite, o mistério e a beleza sombria em versos que parecem sussurrados depois da meia-noite.
Atravesse e deixe-se conduzir pela voz de Luna, recitando a escuridão através de sua poesia: