
O lobo em mim respira e se refaz,
num pulso que me fere e me balança.
Rasgando o que restou da antiga face;
Já não caminho... é algo em mim que avança!
Há vozes onde o mundo se disfarça;
Há olhos onde a dor já não descansa.
Ah... e a lucidez? Que se desfaça!
E a carne ceda ao rito da mudança.
- Não lute - sussurrou - contra o que és,
Aceita o que te ergue pelos pés,
pois toda negação apodrece a alma.
E eu vi, no espelho torto da existência,
Habitando em mim com lúcida insistência,
O monstro que, na fúria, me traz calma.