
Em cada passo, um mundo era desfeito;
em cada sombra, um nome me mordia.
E o lobo abriu caminhos no meu peito.
A noite me vestiu com sua fome fria.
Segui sem fé, mas firme no conceito
de que a verdade em dor se esculpiria.
Curvando-se ao que em mim já era eleito.
A rua, antes concreta, apodrecia.
— Rasga — ordenou — o véu que te sustenta!
E em mim a lucidez se fez violenta.
Pois só que sangra enxerga sem alucinação.
Toquei meu rosto e já não era o mesmo.
Havia um outro em mim, que se alimenta
do abismo que me chama da escuridão.