
Meu corpo, escrito em lei indecente,
virou domínio alheio que se impõe e fere.
Marcaram mapa em carne ainda quente;
Chamaram posse o toque sobre a pele.
Como fronteira frágil que se perde,
a vontade é rasgada lentamente.
Olhares medem, pesam, querem dele
um território dócil, obediente.
Não sou terreno em guerra silenciosa,
nem terra prometida e dolorosa
onde o desejo alheio faz nação.
Mas fui, por anos, campo disputado,
onde o amor vestia-se de estado
e a posse se fingia de afeição.