
Por trás da porta, o rito conjugal
é lâmina oculta em gesto sorridente.
A mesa posta em calma artificial;
Na sala limpa, o quadro bem pendente.
O amor se reduz a um cárcere latente
no quarto fechado, naquele ritual.
O lar exibe um rosto complacente,
fachada santa em tom convencional;
Violência é segredo de família,
varrido ao pó da doce mobília,
como se o sangue fosse opinião.
A rua escuta o grito que se ativa,
chama de paz aquilo que é cativa.
Ele aumenta o som da nossa televisão...