
Na dobra oculta onde a lua se despoja,
arde a magia em rito que me chama;
sou filha eterna da penumbra que se aloja
no peito humano quando a luz se inflama.
A senda pulsa em sedução que foge e arroja,
mistério antigo que serpenteia a lama;
cada sussurro da noite, ao vento, enlaça e projeta
meu passo gótico à fronteira da chama.
Entre véus sombrios, escuto o mundo frio;
a escuridão me guia ao próprio desafio,
pois nela encontro a força que me acende.
Aceito a sina: sou da noite a escolhida;
no feitiço oculto que governa a minha vida,
minha liberdade é a lâmina que nunca se rende.

Venham, almas curiosas...
As portas do meu domínio estão entreabertas, e a névoa já conhece o caminho.
Entrem em minha página; lá onde as histórias sussurram, o medo respira e a escuridão é bela.
Assinem com sangue o convite da noite.