
Em noite má, de véus e de pecado,
ergue-se a lua, pálida, insana e fria,
meu corpo é sombra, o teu: o chamado,
e o gosto do medo... a minha euforia.
Te sigo em silêncio, próxima ao jazigo,
onde o vento murmura blasfêmia e lamento,
tua pele reluz; meu cálice querido,
minha fome é o rito, meu beijo é tormento.
Nas veias, a prece do vinho carmim,
no peito, um suspiro é o prenúncio do fim,
teu corpo tremendo; meu deleite e espólio.
E quando a aurora vier profanar o instante,
terás no pescoço meu selo marcante,
teu grito será meu santo vestígio etéreo e sórdido.
Da mesma autora:

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Ano: 2025
Tamanho: 916 KB
Formato: PDF
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