
Hoje desperto em púrpura e agonia,
meu véu de renda negra a cintilar;
na catedral das trevas, onde o dia
não ousa entrar, preparei meu altar.
As velas mortas choram labaredas,
o vento geme em órgão sepulcral;
violinos traçam suas veredas,
num réquiem lento, lúgubre e fatal.
No meu vestido o luto se derrama,
sou sombra e chama, viúva sem drama,
mas nesta noite enfim vou me unir.
Casar-me-ei com o silêncio profundo,
e os mortos hão de saudar, num segundo,
a noiva sombria que insiste em sorrir.
Da mesma autora:

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