
No peito trago um coração que sangra,
ferido em gritos, mas sem voz alguma,
um caos oculto em sombras se desmanda,
silêncio é brasa que em mim se consuma.
As dores dançam, torturando a alma,
correntes frias me arrastam no chão,
e quem me olha, crendo ver-me calma,
não sabe a fúria que ecoa em prisão.
Perguntam: “Por que o teu olhar tão quieto,
se o mundo ao redor é pleno em ruído?”
E eu, com a dor que me serve de teto,
respondo em sussurro, sombrio, contido:
— Meu silêncio é grito em abismo secreto,
onde cada tormento jaz escondido.