
Na noite eterna em que a lua me seduz,
Despertei prisioneira da sede sombria;
Minhas mãos são de gelo, meu olhar reluz,
Mas minh’alma chora em mórbida agonia.
As sombras me abraçam com véus de pesar,
Companheiras fiéis na dança do pranto;
E de longe contemplo o doce olhar,
Do amado distante, segredo que encanto.
Não ouso tocá-lo, pois temo o sofrer,
Ignoro os mistérios que o amor nos impõe;
E no silêncio aprendo a morrer.
Mas ainda desejo, em suspiros vãos,
Provar esse fogo que os vivos consomem,
E queima mais forte que o sangue nas mãos.