
No breu da mata, à luz da lua fria,
A bruxa entoa em voz lenta e cortante,
Palavras velhas, rito delirante,
Que arranca a morte em sua rebeldia.
Das cinzas surge a tétrica agonia,
O chão estremece, a terra é pulsante,
Um corpo ergue-se, torpe, vacilante,
Na noite funda, em mórbida ousadia.
E então revela, em riso desumano,
Segredo oculto, além do céu e o inferno,
Que faz tremer o espírito profano.
Mas logo cai no sono mais eterno,
A cova fecha, e o vento desumano
Leva o mistério aos corredores do inverno.