
No ermo salão de pó e decadência,
A gótica lê, à meia-luz sombria,
Livros que falam de dor e demência,
De espectros que rondam a noite fria.
As páginas rangem com voz de lamento,
Cada palavra é um eco de horror,
Assombrações surgem em lento tormento,
Dançando ao seu redor com negro ardor.
O vento da noite sopra pelas frestas,
Velas vacilam em chamas incertas,
Sussurros ocultos lhe abrem as portas.
Mas ela sorri, rainha em suas festas,
Pois sabe que as sombras, almas desertas,
São cúmplices vivos de suas leituras mortas.