No alto galho a poetisa se reclina,
Com cálice em punho, rubro como o luar,
O vinho verte a dor que lhe domina,
Um brinde à noite e ao segredo do lugar.
No cemitério, o vento se inclina,
Sussurra rezas que não sabem calar,
Entre os ciprestes, a sombra germina,
Visitantes ousam as runas traçar.
Ela observa, cúmplice, em silêncio,
Entre feitiços, velas e mortalha,
Sorve do vinho o mistério imenso.
E a árvore, cúmplice da estranha mortal,
Guarda o poema nas folhas do tempo,
E o vinho arde como um rito final.