
Te busco à meia-noite, em véu e treva,
Nos salões onde a lua sangra fria,
Teu beijo arde, e a morte me cativa,
Enquanto a dor em meu peito se eleva.
Teus olhos, dois abismos, me enredam,
Promessas sussurradas na agonia,
Juramos nos amar além do dia,
Quando os sinos da morte em nós se quedam.
Se o mundo teme o laço que traçamos,
Que apodreça em sua luz, em sua aurora,
Pois na escuridão é que nos encontramos.
Que o tempo morra, e o além nos devora,
Nosso amor, feito praga, ecoa quando amamos,
Nos selos do inferno e na paz que apavora.